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QUARTA-FEIRA — CADERNO GESTÃO

O bilhão que o Ecad distribuiu e o dinheiro que ainda demora a chegar

Direitos autorais bateram recorde no primeiro semestre, mas para muitos músicos o repasse continua sendo um mistério de meses.

Por Redação Maestro · 07 de outubro de 2026 · Foto: acervo Maestro

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O bilhão que o Ecad distribuiu e o dinheiro que ainda demora a chegar

No primeiro semestre de 2026, o Ecad distribuiu mais de um bilhão de reais em direitos autorais — um crescimento de 16,5% em relação ao mesmo período do ano passado — para mais de 312 mil artistas, compositores, intérpretes, produtores fonográficos e editoras espalhados pelo país. O segmento de shows ao vivo sozinho cresceu 25,4%, puxado por um processo que era manual e virou automatizado: a submissão de setlists por produtoras e casas de show, que multiplicou por dez o número de envios mensais. São números que, à primeira vista, contam uma boa história — a de um sistema de arrecadação cada vez mais eficiente. E é, de fato, uma boa notícia. Mas ela convive com outra, menos confortável, que o próprio Ecad reconhece: a inadimplência de órgãos públicos continua sendo um obstáculo relevante para que esse dinheiro chegue a quem escreveu a música.

Isso significa, na prática, duas coisas que todo músico e compositor deveria entender separadamente. A primeira é que, se a música de alguém tocou em rádio, em TV aberta, num show, numa plataforma digital ou até no som ambiente de um estabelecimento comercial, existe dinheiro sendo arrecadado em nome dessa execução — e ele só chega a quem compôs se as obras estiverem corretamente cadastradas nas associações de gestão coletiva vinculadas ao Ecad, com a titularidade correta registrada. Música tocada sem cadastro correto é dinheiro arrecadado que vai para uma espécie de limbo, redistribuído depois segundo critérios que não beneficiam quem de fato tinha direito àquele valor.

A segunda coisa é que mesmo quando tudo está cadastrado direito, o tempo entre a execução da música e o repasse do dinheiro para o bolso do artista nunca é imediato — passa por um ciclo de coleta, processamento e distribuição que pode levar meses, e que fica ainda mais lento quando o pagador da conta é uma prefeitura ou órgão público em atraso com a própria arrecadação que deveria repassar ao sistema. Reportagens recentes mostram prefeituras acumulando dívidas de centenas de milhares de reais com o Ecad relativas a eventos como festas juninas e comemorações municipais — um atraso que empurra, na ponta final da cadeia, o pagamento que deveria estar no extrato do compositor meses atrás.

Esse tipo de defasagem entre "a música tocou" e "o dinheiro chegou" não é exclusividade brasileira. Relatórios internacionais sobre a indústria da música, como o Loud and Clear, já documentaram há anos que, mesmo em serviços de streaming bem estabelecidos, menos da metade do valor gerado por uma execução chega efetivamente a quem escreveu a canção, depois de passar por gravadora, distribuidora e intermediários. A lição para quem compõe e produz, no Brasil ou fora dele, é a mesma: entender o próprio fluxo de direitos autorais — quem arrecada, quando distribui, com que atraso — deixou de ser assunto de bacharel em direito para virar parte básica da alfabetização financeira de qualquer artista que viva, mesmo que parcialmente, de composição.

Diante de um sistema que paga certo, mas paga devagar e às vezes com meses de atraso, a pior armadilha é tratar aquele dinheiro como se já estivesse na conta. É esse o tipo de confusão que o módulo financeiro do Maestro ajuda a evitar: ao separar claramente o que já foi efetivamente recebido do que ainda está pendente — incluindo repasses de direitos autorais que estão em algum ponto do caminho entre o Ecad e o bolso do compositor —, ele evita que um valor prometido, mas ainda não pago, seja contado duas vezes na cabeça de quem está tentando planejar o próprio mês.

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