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SÁBADO — CADERNO EVOLUÇÃO

Depois da dupla, o próprio nome

O que a reinvenção solo de Simone Mendes ensina sobre recomeçar uma carreira musical do zero, sem apagar o que veio antes.

Por Redação Maestro · 10 de outubro de 2026 · Foto: acervo Maestro

Capa da matéria Depois da dupla, o próprio nome
Depois da dupla, o próprio nome

Em 2022, depois de dez anos formando uma das duplas mais ouvidas do sertanejo, Simone Mendes e Simaria se separaram profissionalmente. Simaria voltou o foco para a vida pessoal. Simone escolheu seguir sozinha — o que, num gênero musical construído historicamente em cima de duplas, era praticamente recomeçar num formato para o qual ninguém tinha escrito o manual. Não existia um caminho óbvio de "como ser sertanejo sozinho" para ela seguir. Existia apenas a decisão de tentar.

O que ela fez a seguir é um estudo de caso sobre como uma virada de carreira funciona quando não é reação a fracasso, mas escolha deliberada de mudança de rota. Simone mudou o visual. Investiu na própria saúde. E, principalmente, mudou de direção musical: em vez de tentar repetir a fórmula da dupla, foi atrás do que sempre quis fazer, o sertanejo de "sofrência", aquele que se escuta e se sofre junto, como ela mesma descreveu. Lançou o DVD solo "Cintilante" em 2023, embalado pelo sucesso de "Erro Gostoso", e hoje segue com o projeto "Cantando Sua História 2", que já colocou duas faixas nas paradas da Billboard Brasil. Ela também foi clara sobre como se manteve à frente do próprio processo num mercado competitivo, cercada de outras vozes fortes do gênero: "fico dentro de tudo que acontece dentro do meu trabalho".

Há uma lição ali que vale para qualquer músico enfrentando uma virada parecida, seja saindo de uma banda, de uma dupla, de uma orquestra, de um papel de acompanhante para um papel de protagonista. A primeira é que pivô de carreira não significa apagar o histórico — significa usar o que já foi construído como base para algo novo, não como âncora que prende à forma antiga. Simone não fingiu que a dupla nunca existiu. Ela carregou o público que já conhecia, mas construiu, em cima dele, uma identidade que era só dela.

A segunda lição é mais incômoda: pivô de carreira é, quase sempre, um período sem métricas confortáveis. Entre o fim de um formato e a consolidação de outro existe um vazio temporal em que ainda não dá para saber se está funcionando. Não existe um indicador que avise, em tempo real, "sim, essa mudança de direção está certa". O que existe é tempo, repetição, ajuste, e a disposição de seguir mesmo sem confirmação imediata — exatamente o espaço em que a maioria das pessoas desiste, porque a incerteza é mais desconfortável do que continuar fazendo algo que já não funciona mais, mas pelo menos é conhecido.

O que separa quem atravessa esse vazio de quem trava nele costuma ser a disposição de medir o próprio progresso em ciclos, e não em cada dia isolado — porque dia a dia, num pivô de carreira, quase nada parece estar dando certo. É só olhando de tempos em tempos, com alguma distância, que a direção real aparece. É por isso que o Maestro trabalha com o retest de 90 dias do Índice TRÍADE: dar, a cada ciclo, uma checagem honesta de como os seis pilares da carreira estão se movendo, para que uma virada de rota tenha, além de coragem, também evidência.

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